domingo, 15 de novembro de 2009

No rescaldo da exposição Geração VHS

Mal arrancou Novembro, estava uma troupe a montar a exposição colectiva na sala das colunas da LXFactory. Na nossa última visita para fazer o ponto de situação do set-up e desenho técnico, tínhamo-nos apercebido que só haviam 4 fichas eléctricas para 15 instalações e projecções vídeo. Acabávamos nós de resolver a aventura de reunir televisores tradicionais e DVD graças ao alargado peditório que lançámos junto do nosso grupo de amigos, binguém passava o crivo da pergunta: Não tens um televisor tradicional de caixa que nos possa emprestar por alguns dias. Agora, deparávamo-nos com a situação de ter de arranjar várias extensões para alimentar tantos televisores. Se a tarefa de produzir uma exposição extreme low budget, tínhamos agora novos ingredientes para a aventura. No entanto, não foi o suficiente para deixar a motivação se esmorenar... Alicate, chave de fendas em mão, lá iniciámos as transformação às triplas sem ter ainda percebido que era preciso material bem mais específico, ou melhor profissionalizado. Apesar dos kits de diversos tamanhos e feitios que haviamos trazido para o atelier, faltava-nos aquela com o design próprio dos electricistas. Lá estávamos nós de novo a ser desafiados. Teríamos que voltar a uma das cadeias do Do it yourself para encontrar a solução sem a qual não poderíamos iniciar o que quer que fosse a não ser colocar e distribuir os paineis de colagens o que representava só uma parte dos conteúdos. Face às estantes de fichas de vários formatos e tipologias, tinhamos de decidir entre mudar de sistema o que não parecia ser caminho viável ou encontrar a chave de fenda adequada o que à primeira vista não parecia estar ao nosso alcance. Voltámos a analisar as famosas gôndolas entre a gargalhada nervosa e o comportamente que denotava algum nervosismo, para chegar à conclusão que teríamos mesmo de optar em comprar um superkit especial electricista. Feitas as contas, sempre ficava mais em conta. 
Regressámos ao local do crime, armados até aos dentes, altamente satisfeitos com o desfecho das compras onde nos esperava o pequeno Gonçalo que não continha o seu entusiasmo apesar das piscinas que o encarregámos de fazer para carregar os jipes de caixas, caixotes e rolos de cabos. Reiniciámos o processo de transformação, a todo o vapor alinhando todas as fichas e cabos que teríamos de montar e adaptar aos propósitos. A agilidade do verdadeiro amador não pode evitar de nos pregar um último susto quando ouvimos CRAQ do metal a partir. A super chave de fendas acabadinha de comprar acaba de partir!!!! O olhar de espanto seguiu-se da procura do resto do kit para validar a existência de mais opções equivalentes. Ouff!! lá estavam mais duas para nos salvar de uma reclamação ao AKI. 
Bem...parecia-nos emoções suficientes para um só arranque de montagem. Só esperávamos que as surpresas ficassem por aqui. Apesar de não perceber nada de electricidade pois como mulher que sou, foi sempre uma área que não cultivei em aprender. Errado. Tenho a dizer que dá imenso jeito e que a independência de uma pessoa passa também por coisas tão simples quanto saber dar a volta a uma instalação eléctrica inoperacional. Claro que o facto de ter uma direcção técnica deixava-me em plena segurança. Fixação aqui, Teste dali e assim prosseguiam os afazeres da Geração VHS. 
À medida que a exposição ia ganhando forma, o nosso olhar de satisfação e conquista ganhavam expressividade, restando apenas a dúvida de quem realmente acabaria por vir ao local. A promessa era de festa, o que é sempre um programa atrativo para a maioria, no entanto a agenda de Lisboa tinha muitos locais por onde escolher passar a noite. Assim, a angústia da capacidade de atracção que teria esta abordagem não conseguia dissipar-se apesar de cada um tentar enaltecer aos diferentes canais de divulgação que tinhamos conseguido accionar. Quem, qual será a reacção, será que provocará o buzz, alguém será tentado a regressar? 
Na quinta-feira, apareceu que mais estava próximo do projecto mas os dias seguintes revelaram-se bem mais catalizadores de visitas podendo observar a vinda de pessoas fora do nosso círculo de amigos. 
A conclusão desta última aventura colectiva - E Viveram Felizes para Sempre, Fernando Fadigas, Miguel Osório, Ruy Otero, Sandra Zuzarte, foi que valeu definitivamente a pena. As pessoas reagiam positivamente à interacção que era proposta e do nosso lado, sentimos grande satisfação no resultado desta abordagem cuja concretização sentimos enquadrar-se às 1000 maravilhas aos conceitos que regem a nossa acção e inspiração. Quem sabe se talvez este não seja um ponto de partida para novas apresentações e assim conseguir chegar a outros públicos e outras sensibilidades.

Lançar um blogue?!?

Em 2008, quando criámos a E Viveram Felizes Para Sempre sabiamos que seria uma grande aventura. Não apenas porque o contexto era pouco propício às iniciativas, como era um território totalmente novo. Timidamente, falávamos desta ideia aos nossos amigos um pouco na esperança de perceber até que ponto o conceito era apetecível ou se de alguma maneira fazia sentido. E as reacções eram positivas mas o que mais nos motivou a lançar-nos foi, concerteza, saber que só experimentando poderiamos verdadeiramente saber. Nem sempre temos a resposta senão através da acção. E assim, foi. Um pouco como acontece agora com este blog...sem ainda saber o que terei para contar que possa cativar algum seguidor. Se por um lado, a E Viveram Felizes Para Sempre faz do seu dia-a-dia a criação de narrativas baseadas na reinterpretação de objectos deixados para trás no fundo do armário ou até mesmo re-encontrados  num saco abandonado junto dos caixotes do reciclado, por outro, a experiência de contar uma história pela escrita é limitada ás cartas que envio a amigos ou familiares. Será que a escrita digital tem outros encantos que ainda não me dei ao trabalho de descobrir? Isso é que vou indagar lançando-me nesta nova aventura online. Espero que também partilhem ideias, debatam perspectivas e opiniões bem como lancem temas inspiradores.