quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Pull Over: alguma vez imaginei??

Só mesmo por amor à arte e amizade ao Luis, consegui ultrapassar a minha timidez e dificuldade em representar. Nunca pensei estar exposto a este tipo de situação, pois ter uma camara a seguir-me não provoca o fascínio que pode ter para as novas gerações que não passam um único dia sem tirar fotos, partilhar vídeos, em suma viver sob a lógica de ver e ser visto a toda a hora e minuto. Claro que o facto de estar entre amigos foi a única forma de poder entregar-me desta forma à criação de um personagem que felizmente pouco ou nada falava. Na verdade tive de decorar uma longa deixa do texto inspirado na obra de Thomas Bernard que acabou por ser dobrada (nada mais fácil). Estive uma noite de angústia que não me valeu de nada.
Toda esta produção foi uma aventura em Sintra. Parecia um remake das histórias dos 5 mas aqui não havia cão. Na verdade não era o único a estrear-me, a Sofia era minha cúmplice todavia como mulher que é, tem mais rodagem de representação mesmo que seja num círculo restricto da vida social.

Não havendo produção, tinhamos de fazer um pouco de tudo. O dia iniciou quando fomos buscar o  famoso Mercedes, adereço principal. A viagem nele até Sintra teve outro sabor e o ritmo dos ponteiros pareceu mudar de cadência. Depois foi escolher o local que reunisse as condições de luz e som ideais para o equipamento disponível (os mínimos olímpicos). Nem sempre o perchista concordava com o realizador mas lá se chegou ao consenso enquanto a Sofia retocava o baton pelo retrovisor enquanto o motorista permanecia silencioso a olhar para a valsa, à espera das indicações.
Como era de esperar tivémos de repetir cenas e dar a volta com o Mercedes-Benz na estrada sinuosa uqe serpenteava a encosta. Foi nesse momento que tivémos um calafrio com a "relíquia" pois quase que a lançávamos para a ravina. Em vez de pôr a marcha atrás, só conseguiamos encaixar 1ª...Felizmente só passou de um susto e muitas gargalhadas.

O filme fez parte de uma performance do Luis Elgris no fabuloso Jardim botânico dos Museus da Politécnica que raramente é visitado. Aproveito a ocasião para lembrar que este é um excelente spot para ler ou simplesmente namorar a natureza e observar a cidade.
Aqui partilho.
http://www.youtube.com/watch?v=zuwY1es8n3M&feature=related

Geração VHS: Um filme promocional

Frequentemente a cultura é promovida com filmes que se querem intelectuais, sérios, recorrendo a uma linguagem hermética que os torna pouco apelativos ou sedutores. Não será contudo por isso que a cultura sofre do mal da falta de espectadores. Mas claro 20 segundos é um tempo curto para apresentar conceitos tão complexos como aqueles que estão por trás de peças de teatro, livros ou exposições. Além disso, não há propriamente orçamentos destinados para tais produções ao contrário da publicidade e das grandes marcas/grupos empresariais.
Para a divulgação deste projecto - Geração VHS - em que tivémos o apoio da RTP, decidimos produzir um spot em que ele próprio seria conteúdo expositivo funcionando como um verdadeiro contraponto à lógica publicitária sem, no entanto, tornar-se numa mensagem fria e distante de quem fala do alto de um pedestal. Queriamos que fosse uma peça que pudesse, à semelhança de um videoclip, privilegiar a capacidade de sedução pela forma envolvente como cativa o olhar do espectador mais desatento. Uma peça que interpelasse o público sob a forma de um "clin d'oeil", subtil mas carismático.
À medida que se rodava na zona industrial de Sta Apolónia, mais desejavamos acrescentar história ao pequeno "episódio promocional". Dali quase partiamos para a criação de uma curta-metragem quando tínhamos de ser extremamente sucintos. Por isso, não resitimos em editar duas versões: uma curta para televisão e outra de 45 secundos para outros meios e suportes.
Nestas imagens evocamos outras memórias, umas da infâncias, outras associadas às salas de cinema dos anos 80. Esta foi a primeira experiência de outras tantas. O bicho ficou.
E não há dúvida que FAMEL é a sigla de "Foda-se a mota é linda".
Aliás desde então, tenho pensado em produzir uma peça mais extensa sobre estes objectos de design português que tendem a resistir ainda pelas aldeias mais protegidas da correria urbana onde o tempo corre mais lentamente deixando os seus habitantes saborear melhor as suas minis ao balcão, ou os perceves na esplanada do compadre conjuntamente com outros pescadores e amadores das águas salgadas. O tempo dirá se o meu argumento terá capacidade para catalizar energias e tornar-se realidade. No entretanto, fica este pequeno testemunho.
http://www.youtube.com/watch?v=7hsBnah-My0&feature=related 

Um filme, um processo: K

Num trabalho conjunto entre a E Viveram Felizes para Sempre e o Ruy Otero, recentemente foi apresentado um filme  que aborda o tema da lógica do cinema aliado às questões da representação. Esta peça experimental que conta com a participação de actores - Luis Elgris e Manuel Arada-, do argumentista Bruno Cecílio e do próprio realizador Ruy Otero, integrou a programação do Festival de vídeo-arte "AoGosto" produzido pela associação Sou. Um filme que por opção não houve praticamente edição onde impera uma anarquia formal e o acaso se cruza com uma intenção desconstrutiva dos códigos e lógicas da 7ª arte. 
Uma proposta de risco, com 60 minutos, que foi recompensada por uma surpreente adesão do espectador da pequena sala instalada no Bairro da Graça. Esta primeira reacção leva-nos a querer levar o projecto a mais públicos apresentando candidaturas a alguns Festivais de Cinema independente.

domingo, 5 de setembro de 2010

Direcção África do Sul

O simbolo como a bandeira não podia deixar de ser uma matéria de interesse para a E Viveram Felizes Para Sempre. Não apenas pela riqueza de associação como por ter vindo a ter um protagonismo diferente desde o Europeu 2004. Nesta altura, o país encheu-se de bandeiras nem sempre conforme ditam as regras, nem sempre colocada no sentido que é suposto. Um sentimento nacionalista que fora estimulado por alguém de fora é sempre um fenómeno insperado que desperta a atenção dos mais curiosos. Assim, nasce a peça "A pátria que me pariu" e que representa a imagem do perfil deste blog já que o trabalho desenvolvido está intimamente ligado ao território no qual nos movemos e trabalhamos. È nele que brotam os materiais que curto-circuitaram.
Esta peça acabou por seduzir um estrangeiro que fez um incursão local e que desejou guardar um souvenir original que evocasse referências da cultura nacional sem passar pelo tradicional merchandising. Mas claro não foi possível partir com o seu novo dono ficando a aguardar uma melhor oportunidade. Aconteceu em Setembro 2010 e estamos curiosos de saber como foi viajar para tão longe...Esperemos que chegue a bom porto como é suposto. Seguramente que irá intriguar os convidados do lar, mais ainda num contexto maioritariamente muçulmano. Ficamos contentes com esta exportação, se bem que desperte sempre um pouco um sentimento de perda. A pátria agora partiu, para terras longíquas para seduzir outros olhares.