Em Junho 2008, os poucos residentes da LXFactory sentiam-se parte de uma nova comunidade criativa pelo que tinham por hábito circular neste vasto espaço fabril à procura de conhcer os seus novos companheiros de estrada. Foi assim que o Paulo Carboila, da Quioto, apareceu no Atelier num fim de tarde.
Tinha acabado de vir de umas pequenas férias em Madrid e estava a fazer algumas experiências com colagens usado os cartazes oriundos do bairro da Chueca onde tinha deambulado à procura de inspiração. Estes recortes e pedaços arrancados das paredes madrilenas acabaram por desencadear uma viragem na abordagem da E Viveram Felizes para sempre. Esta foi seguramente uma viagem marcante na medida em que passou a explorar a plasticidade gráfica do caos da mensagem assim como da sujidade urbana para formular uma nova narrativa. Nesta altura, tudo estava em ebulição procurando os diferentes caminhos da sua personalidade conceptual.
Dois novissimos paineis estavam em repouso, no início do seu processo de secagem, quando despertaram a curiosidade do Paulo que não hesitou em entrar para perceber quem seria o autor. Inesperadamente para nós, mas com a determinação que o caracteriza, ele decidiu-se por um deles e no próprio dia mudar-se-ia para o espaço da Quioto. Convidados a conhecer a produtora, foi a oportunidade de lançar um novo desafio criativo para fazer uma intervenção nas casas de banho.
Todo o espaço desta produtora foi cuidadosamente desenhado, expressando um carácter muito particular e sedutor reveladora da capacidade criativa do projecto. Por isso, o Paulo queria que também as casas de banho fossem um espaço que proporcionasse ao visitante uma experiência diferente e marcante. O objectivo era que estas fossem, marcadamente diferente do resto do espaço da produtora caracterizado pela sobriedade e minimalismo, e para usar as próprias palavras do Paulo "completamente loucas". Apesar de lançar o tema para a casa de banho masculina "GAY" foi-nos dado total liberdade criativa. Agosto foi o timeline para criar e surpreender no regresso da equipa que partia para umas merecidas férias com excepção da Rita Ruivo que daria apoio ao nível da produção.
Não há dúvida que este seria um momento mágico que provocou um enorme "boost" de confiança. Além desta intervenção ser num formato completamente diferente do que tinha sido anteriormente desenvolvido, este foi um repto extremamente estimulante.
Devido às limitações da área que estes dois espaços oferecia, foi no atelier que os paineis que funcionam como a base nasceram.
Em contraponto com o tema Gay, o mote a casa de banho das senhoras seria centrado no conceito de conficionário. Simplesmente porque a mulher tem por hábito, quando está fora de casa, convidar as amigas a ir com ela. Nesta perspectiva, para a mulher, este é um espaço de cumplicidade e partilha, e concerteza que lá serão revelados inúmeros segredos ou formuladas estratégias. Em suma, tudo muito para além da sua inicial e tradicional funcionalidade.
Depois de um delirante mês de trabalho, veio o momento da angustia: qual será a receptividade? A responsabilidade de poder corresponder às expectativas não deixava de ser proporcional ao grau de liberdade que foi dado.
A 1ª reacção transmitida por telefone foi: Vocês passaram-se!!!
Aqui ficam algumas fotografias, da autoria da Revelamos (Nuno Antunes), convidando desde já cada um a partilhar a opinião.
For Him...